O Bom
Os bons morrem cedo. Já é uma regra.
Por vezes, porém, algum Bom não se resigna com a morte certa e decide lutar. Por treze anos.
Ontem, dia 29 de março de 2011, o destino se fez: José de Alencar sucumbiu ao câncer contra o qual pelejava desde 1997.
Aos 79 anos, já debilitado (e muito), pela longa enfermidade, foi-se. O médico já dizia, às 14:31 que o ex-vice-presidente do Brasil, se preparava para partir.
Dez minutos mais tarde, era oficial: o povo brasileiro perdeu um dos últimos, senão o derradeiro, dos políticos que prezam pela honra antes dos benefícios pessoais.
Era um dos últimos daquela safra que fez com que os nossos pais lutassem contra a ditadura militar, que fez com que milhões de estudantes fossem às ruas com a cara pintada de cores bem patriotas.
Ao contrário daqueles que fazem da política uma carreira profissional, o empresário José de Alencar militou não mais que 12 anos nesta área, onde começou tardiamente.
Já em 1998, quando da primeira eleição para a vice-presidência do Brasil, dizia, ao lado de Lula: “o trabalho vem antes do capital. Precisamos redescobrir o valor do trabalho”. Não acrescentou, na ocasião, o adjetivo “honesto”, mas poderia ter dito para chacoalhar os colegas da política.
Disse também: “Assim como vocês, não conheço a morte, portanto não tenho medo dela. Tenho medo da desonra”. Não precisava: era honrado.
José de Alencar, respeitado pelo que dizia e pela sua conduta política deixou como exemplo a moralidade.
Foi um dos últimos que honrou o voto der milhões de pessoas e não sucumbiu à corrupção do poder público.
Que descanse em paz, certamente deixará saudades.
By Vanda Moraes